Kyra, meu setter irlandês
O nome dela era Kyra, meu setter irlandês. Linda de viver.🌷
Quando voltei para o Brasil, ela entrou na minha vida como um anjo. Nos momentos de transição, sempre encontro anjos. Às vezes, eles vêm na forma de animais; outras, de pessoas, de intuições. São diálogos divinos que a vida nos oferece.
Naquele período de mudança, fui morar na Região dos Lagos para me readaptar ao calor e ao país que nunca deixou de ser meu.
Kyra era enorme: 36 quilos de pura elegância, com um pelo vermelho reluzente. Nesta foto, tentei carregá-la nos braços, mas ela era grande demais para isso.🌷
Era brincalhona e tinha um hábito irresistível: quase sempre escondia uma das minhas Havaianas debaixo do seu enorme colchão estiloso. Eu passava um bom tempo procurando o outro pé do chinelo, enquanto ela permanecia ao meu lado, observando tudo com um olhar que parecia dizer: "Eu sei exatamente onde ele está."
Quando descobri o esconderijo, entrei na brincadeira. Fingia procurar a Havaiana pela casa inteira antes de ir até o cantinho dela. Era o nosso jogo. Um daqueles pequenos rituais que transformam a convivência em amor.🌷
Depois de tantos anos vivendo fora do Brasil, consegui um emprego em uma multinacional italiana como assistente do presidente. No meu primeiro dia de trabalho, ao chegar em casa, encontrei as duas Havaianas juntas, exatamente onde eu as havia deixado.
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