Os ciclos e o viver

As manhãs de primavera enfim chegaram. O sol se adianta no horizonte, algumas roupas já pesam sobre a pele, e as flores, em sua discreta generosidade, colorem os cantos do mundo.🌷
No Rio de Janeiro, o calor não pede licença: sobe veloz, e em poucos dias já ultrapassamos os trinta e três graus. Viver aqui é dançar com os extremos, é aceitar a instabilidade como parte da paisagem.
Sol, calor, ardor, mormaço: quatro vozes de uma mesma estação que agora se anuncia e nos acompanhará até março, talvez abril.
Mas será que os ciclos ainda se repetirão? O clima, em sua inquietude, parece nos empurrar para outros tempos, para um futuro que ainda não sabemos nomear.🌷

Li, em certa ocasião, que a jardinagem será a profissão de amanhã. E vejo isso se cumprir em gestos delicados: há quem cultive hortas coletivas, há quem converta frutas em compotas, geleias e bolos, devolvendo à terra o carinho que dela recebeu.🌷

Escrever também é cultivar. Semeio palavras, rego-as com sentimentos, e depois, ao colhê-las, encontro nelas o reflexo do que vivi.🌷

E você, onde guarda o seu desejo? No perfume das flores? No verde das plantas? Ou nas linhas da escrita?
Descobrir esse jardim interior é uma experiência luminosa — talvez a mais bela de todas.🌷

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