Conversas
Nós a tratávamos por “vizinha”
e seu nome verdadeiro era Maria José. Tinha sido a nossa vizinha durante anos e
depois nos mudarmos continuava a nos visitar com regularidade no novo endereço.
As risadas e as longas conversas marcaram aqueles encontros. Era um tempo
diferente. O relógio não brigava conosco e conseguíamos sorver o melhor das
pessoas por meio dos diálogos. Vizinha costumava chegar bem cedinho à nossa
casa. Depois dos abraços e beijos ela abria a bolsa e nos mostrava os quitutes
que havia trazido. Eu me lembro dos bolos. Ela os trazia em formas redondas ou
quadradas e ainda posso sentir o cheirinho do alimento que ela revelava ao
desembrulhar a toalha que envolvia a forma. Eram manhãs festivas.
Depois do café íamos para a
varanda onde ela nos perguntava sobre a escola e sobre as brincadeiras. Vizinha
tinha as mãos calejadas e vermelhas e um cabelo curtinho que eu amava. As
lentes grossas dos óculos transformavam o seu semblante. Depois vinha o almoço
e o momento de lavar as louças e guardá-las com cuidado. No final da tarde
chegava o momento de dizer até mais. E assim foi até que o até mais se
transformou em adeus. Não tínhamos como saber as notícias de forma imediata. A
ausência das suas visitas revelou-nos que ela havia partido para sempre. Vizinha
era uma pessoa amorosa e acolhedora. Creio que continue conversando lá no outro
plano.
Aprendi que visitar as pessoas
é muito importante ainda. Construímos memórias com os demais, fazemos a nossa
história.
Uma boa semana para todos
nós.
Nivea Oliveira

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